Contos

9th March
2012
written by Sanro

Mudando um pouco o estilo de texto que eu escrevo, uma pequena fábula. 

Bárbara, Brenda e Bruna eram irmãs e viviam numa cidadezinha afastada de todo o resto do mundo. Viviam apenas com o seu pai e tinham um sonho em comum, se casar com um bom partido.

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Um dia, o filho único do comerciante da cidade anunciou que iria se casar. Para escolher a pretendente fez uma espécie de concurso.

Ele se casaria com a mulher que trouxesse a ele um ovo de águia da montanha. O problema é que esta ave, como o próprio nome já diz, só coloca seus ovos no mais alto cume de uma cordilheira. Para chegar lá, era necessário atravessar uma floresta, atravessar um rio, e finalmente subir até o ninho da ave.

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8th March
2012
written by Sanro

Mara abriu os olhos com alguma dificuldade. Piscou várias vezes para se acostumar com a luz. Não que esta fosse forte. Era de um branco pálido, mas parecia uma eternidade desde que tinha aberto os olhos pela última vez.

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Estava encostada em uma parede, a sua frente duas escadas de cimento, uma para cima, outra para baixo, como em um prédio. Quando a luz finalmente deixou de ser um problema tentou descobrir onde estava.

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4th January
2012
written by Sanro

Tanaka e Nakamura tinham vindo do Japão ainda bebês. Os irmãos viveram juntos desde sempre e, durante a juventude, se mudaram para São Paulo para tentar uma vida melhor. Passado 40 anos a pequena indústria que criaram tinha se transformado em uma das maiores do ramo no Brasil.

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Por serem de uma família tradicional e nunca terem se casado tinham uma vida extremamente regrada. Saíam cedo de casa, antes das cinco da manhã e só voltavam depois das dez da noite. Almoçavam e jantavam todos os dias no mesmo horário e sempre a mesma comida japonesa.

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30th December
2011
written by Sanro

NÃO RECOMENDO A LEITURA PARA MENORES DE 16 ANOS

Dizer que Mara, Pedro e Téo eram amigos desde a infância não seria um exagero poético. Na verdade a relação entre as famílias começou ainda mesmo durante a gravidez das mães que ocorreram todas muito próximas.

No espaço de duas semanas e meia, três casas da pequena rua sem-saída estavam comemorando a chegada de suas novas proles.

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Assim, não só aprender a falar e a andar juntos, mas também a brincar. Eram inseparáveis até na creche e mais tarde na escola. Passavam a semana inteira juntos e a primeira coisa que faziam no final de semana era se unir na casa de um deles para brincar.

As mães rapidamente viraram mães coletivas e cada uma delas dava palmada na bunda dos filhos da outra sem grande cerimônia, talvez isso os fizeram se sentir ainda mais unidos. A casa de um não era só dele, era de todos. Os brinquedos, os quartos, as famílias, tudo era compartilhado.

Quando a adolescência chegou o carinho que sentiam um pelo outro se tornou em algo a mais, Pedro se apaixonou por Mara, assim como Téo também se apaixonou por ela. Mas Mara se apaixonou apenas por Pedro e não por Téo.

continua…

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24th October
2011
written by Sanro

Se você é um daqueles que quando começa a ler algum livro ou ver um filme e já fica imaginando o final, lhe pouparei o trabalho. Eu morro no final.

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Sim, eu sei que todos morrem no final, mas no meu caso o final é um pouco mais próximo, por volta de 3 a 4 horas, segundo os médicos. É o tempo que me resta. Claro que você não deve esperar um grande “Eu morri” na última linha deste texto, afinal, quando acontecer eu não poderei contá-lo.

Estou aqui para escrever algo que apenas alguém que está a alguns minutos de sua morte pode passar para você. Não sei como este texto chegou para ti, se foi através de amigos, ou correntes de e-mail (espero que não). Mas torço que você faça algum proveito com as palavras que eu irei escrever pelas próximas 3 horas.

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10th October
2011
written by Sanro

A tela do computador mostrava: “E ai? Já terminou? Tá tdo pronto?”

Gabriel não respondeu aquela mensagem imediatamente. Estava esperando se certificar pela nona vez que absolutamente nada tinha dado errado. Após o próximo passo não havia como voltar atrás.

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Ficou pensando em como tinha chegado a aquele momento. Como tinha dado sorte. Tudo começou cerca de um ano antes, quando ainda estava no segundo colegial. Ao contrário de seus colegas de turma que estavam estudando para uma prova qualquer de física, Gabriel estava mais interessado na invasão de páginas e redes pela internet.

Nunca tinha descoberto absolutamente nada de útil. Tinha tirado algumas páginas do ar, colocado fotos pornográficas no portal de alguns jornais pequenos da região, além de se gabar aos amigos virtuais sobre sua tentativa frustrada em conseguir dados da Nasa.

Até que…

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6th October
2011
written by Sanro

O Monstro – Parte 1
O Monstro – Parte 2
O Monstro – Parte 3

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O MONSTRO – parte final

O terror da morte que as crianças sentiram naquele momento nunca foi apagado de suas mentes, mesmo com anos de terapia. Nunca sofreram nenhum arranhão. No momento em que a múmia andava em direção a eles a polícia invadiu o galpão.

Carlos foi preso e sua história repercutiu em absolutamente todos os jornais. Por semanas ele foi chamado em todo o país como “O Monstro do Parque de Diversões”. Foi acusado de absolutamente todos os crimes possíveis: de maus-tratos aos animais pela cabeça de porco a sequestro e tentativa de triplo homicídio. Por três dias até a acusação de “formação de quadrilha” passava pela boca de repórteres menos experientes.

Fez questão de contratar o pior advogado que conseguiu, um jovem recém-formado que mal conseguia concluir duas frases com sentido. Seu único pedido ao advogado é que chamasse as três crianças para depor. (more…)

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5th October
2011
written by Sanro

O Monstro – Parte 1
O Monstro – Parte 2

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O MONSTRO – Parte 3

Demorou uma semana, mas Carlos conseguiu armar um plano que ele considerava absolutamente sem falhas. Iria assustar aquelas crianças, nem que fosse a última coisa que faria na vida.

No sábado não foi trabalhar, mas saiu de sua casa em direção ao parque mesmo assim. Em frente ao seu local de trabalho, em vez de entrar, como de costume, pelo portão dos funcionários, virou as costas e atravessou a avenida. Se dirigiu a um pequeno galpão, que tinha alugado durante a semana. Checou-se de que tudo estava conforme ele tinha preparado.

Depois de 2 horas acertando os últimos detalhes, deixou a velha construção com um sorriso que poucas vezes tinha passado por aqueles lábios. Entrou no parque como um cliente qualquer. Pouquíssimas pessoas lhe reconheceriam sem uma máscara naquele parque, destas nenhuma estava lá ou prestou atenção enquanto ele procurava as três crianças.

Alguns bons minutos andando no parque e Carlos finalmente as encontrou. O desespero que aquelas criaturinhas causavam nele todos os sábados foi substituído por um sentimento diferente: felicidade.

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4th October
2011
written by Sanro

Para ler Monstro – Parte 1, clique aqui.

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O MONSTRO – parte 2

Vinte anos se passaram e Carlos finalmente tomou uma atitude com sua infeliz vida. Determinado a causar medo foi ao último lugar que os monstros de antigamente ainda tinham vez: um parque de diversões. Quando conseguiu o emprego sentiu-se finalmente feliz. Estava realizando um sonho: seria um monstro contratado pelo parque com o objetivo único de assustar crianças e adolescentes todos os dias, todas as noites.

A realidade foi mais assustadora do que ele imaginou. Infelizmente, assustadora a ele e não as crianças. Os monstros, que na verdade se resumiam a menos de uma dúzia, estavam mais para monitores, ou ainda, saco de pancadas, da criançada. De fato nenhuma parecia ter o mínimo medo, e por muitas vezes Carlos sentia parte da sua faixa de múmia ser puxada por crianças que saiam correndo e gritando que nunca tinham visto uma múmia tão idiota quanto aquela.

Duas semanas já tinham se passado quando Carlos percebeu que três crianças eram as mais insistentes naquela brincadeira de puxá-lo. Com horror conseguiu finalmente observar que as três possuíam um crachá roxo, o que significava que eram filhos de funcionários e portanto poderiam visitar o parque todos os sábados.

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3rd October
2011
written by Sanro

O MONSTRO – parte 1

Se Carlos tivesse passado por um bom psicólogo talvez descobriria que o seu trauma nasceu quando ainda era uma criança de dois anos e meio. Estava um calor infernal típico dos dias que antecedem o Natal, o pai de Carlos carregava seu filho pela rua super movimentada enquanto a mãe comprava alguns presentes em alguma loja qualquer.

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Em outra loja um homem gordo, suado e ainda cheirando a bebida da noite anterior estava sentado numa cadeira dando tchau para algumas crianças (e para as mulheres) que passavam por lá. Estava vestido de vermelho, com uma barba feita de algodão numa estranha tentativa de se parecer papai noel.

Talvez pelo tédio, ou talvez por não saber como cuidar de uma criança, o pai carregou seu garoto até o senhor noel, mesmo com a criança dando todas as indicações de que aquilo lhe trazia um medo completo – de andar para trás, até o famoso berreiro. O pai não se acalmou até ver o velho suado ter seu filho no colo.

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