NÃO RECOMENDO A LEITURA PARA MENORES DE 16 ANOS
Dizer que Mara, Pedro e Téo eram amigos desde a infância não seria um exagero poético. Na verdade a relação entre as famílias começou ainda mesmo durante a gravidez das mães que ocorreram todas muito próximas.
No espaço de duas semanas e meia, três casas da pequena rua sem-saída estavam comemorando a chegada de suas novas proles.
Assim, não só aprender a falar e a andar juntos, mas também a brincar. Eram inseparáveis até na creche e mais tarde na escola. Passavam a semana inteira juntos e a primeira coisa que faziam no final de semana era se unir na casa de um deles para brincar.
As mães rapidamente viraram mães coletivas e cada uma delas dava palmada na bunda dos filhos da outra sem grande cerimônia, talvez isso os fizeram se sentir ainda mais unidos. A casa de um não era só dele, era de todos. Os brinquedos, os quartos, as famílias, tudo era compartilhado.
Quando a adolescência chegou o carinho que sentiam um pelo outro se tornou em algo a mais, Pedro se apaixonou por Mara, assim como Téo também se apaixonou por ela. Mas Mara se apaixonou apenas por Pedro e não por Téo.
continua…
Era natural diria um observador de fora, enquanto Pedro e Mara eram absolutamente lindos e inteligentes, Téo era… bem, não tão bonito ou esperto. Era como se a natureza tivesse criado os dois para se unirem.
Quando Pedro e Mara começaram a namorar aquilo foi um grande choque para Téo, mas mesmo assim permaneceram ligados em sua amizade. Talvez pelo fato de terem crescido juntos os programas que namorados costumavam fazer sozinhos como ir ao cinema ou ao parque eram feitos sempre a três.
Ou até a quatro, quando os dois conseguiam arranjar um par para Téo. Embora estes encontros nunca tinham dado muito certo, era uma forma que o casal tinha encontrado para poder se encontrar sem se preocupar em deixar Téo deslocado.
O tempo foi passando e os três finalmente terminaram o colegial. Téo começou a trabalhar numa lanchonete, já o casal foi para a faculdade, Pedro engenharia, Mara arquitetura.
Com a nova vida adulta dos três, acabava sobrando cada vez menos tempo para ficarem juntos. Mesmo o casal mal se via durante a semana, e eram raros os sábados ou domingos que podiam se dar ao luxo de não estudar.
Em um final de semana prolongado, já no meio do primeiro ano após o término do colégio, os três decidiram viajar juntos. Na verdade a viagem deveria ser com quatro pessoas, os três e a namoradinha que Téo dizia ter arranjado. Mas no final a garota acabou arranjando uma desculpa, ou pelo menos foi isto o que Téo disse. De qualquer forma este evento não diminuiu a vontade dos três amigos de se reencontrarem e passarem o final de semana.
O local escolhido foi uma aconchegante casa de madeira daquelas que a gente só acredita que existam em filmes. Doze quilômetros distante de qualquer lugar. Só era acessível por uma pequena estradinha de cascalho e lama.
A casa, como o resto da propriedade, pertencia ao pai de Pedro e provavelmente tinha sido palco das maiores alegrias durante a infância dos amigos. Foi onde eles tinham passado todas suas férias escolares, inclusive aprenderam a nadar e a pescar no lago que quase cercava a propriedade.
Foram os três no carro de Pedro, partindo quinta-feira pela manhã. Era a primeira vez que viajavam sozinhos, como adultos, mas isto não impediu que se esquecessem de diversas coisas. Faltava menos de uma hora para o almoço quando partiram pela terceira vez após pegarem a chave da casa que tinha ficado esquecida.
Saíram da cidade com um sol forte, mas não demoraram muito para perceber que, aquilo que prometia ser um dia de verão no meio do inverno acabou se tornando um dos dias mais frios do ano.
Quando finalmente chegaram a estradinha de terra a névoa era tão densa que mesmo com o farol alto era impossível enxergar mais do que alguns metros na frente do carro. E era apenas 3 da tarde.
Pedro que estava na direção estava extremamente cauteloso, mesmo assim não pode evitar quando o carro caiu num buraco que quebrou o eixo da roda. Na verdade, os três só conseguiram enxergar o estado da estrada quando saíram do carro.
Como já tinham andado mais da metade da estrada resolveram ir andando até a casa antes que escurecesse ainda mais. A névoa já estava se transformando numa parede de água e vento gelado quando finalmente enxergaram a construção. Tinham andado por meia hora com algumas sacolas que tinham pegado no carro, além de exaustos estavam encharcados.
Para a frustração dos três a gigantesca lareira que tinha sido motivo de conversa, incentivo, animo e desejo durante todo o caminho estava sem lenha. Apenas o espeto que servia para mexer a madeira deitava esquecido em restos de cinzas de uma visita anterior. Assim como o chuveiro quente foi uma decepção, já que só funcionaria se houvesse energia elétrica, mas para isso precisariam do diesel que tinham esquecido no carro.
Pedro acabou se prontificando a voltar ao carro e pegar o combustível, enquanto isto Mara e Téo tiraram a roupa pesada e molhada ficando apenas com roupas de calor, já que era isso que imaginavam ter durante o final de semana todo.
Mara acabou se sentando na cama com um cobertor entre os ombros enquanto Téo ajeitava a pouca bagagem que tinham conseguido trazer. Mara acabou sentindo pena do garoto, que literalmente tremia, e o chamou para ser acolhido pelo cobertor. Téo acabou indo sem grande relutância e se sentou ao lado da amiga.
Não saberia dizer qual foi o motivo catalisador de sua ação. Talvez o amor contido durante tantos anos que teve de ser esmagado pelo namoro dos amigos. Talvez tivesse sido o fato de que nunca tinha ficado tão próximo a uma garota. Ou talvez ainda a pele dos seios de Mara que estava ainda úmida e arrepiada pelo frio.
Fato é que acabou jogando Mara na cama, que num primeiro momento achou ser apenas uma brincadeira, só entendendo a dimensão do ato quando Téo começou a arrancar sua calça. Tentou gritar, mas foi abafada pela mão de Téo que lhe cobriu a boca.
Mara ficou paralisada enquanto Téo, seu grande amigo de infância, lhe possuía na mesma cama em que os três amigos já tinham, por tantos anos, brincado em cima, pulando, fazendo guerra de travesseiros ou assistindo um filme na tv.
Em poucos minutos tudo acabou, apesar de que para Mara tinham parecido a eternidade. Téo se sentou na beira da cama, jogou o cobertor por cima de Mara como que com vergonha da semi-nudez da garota. Ficou olhando para a porta com uma expressão distante.
Mara finalmente saiu do transe, abraçou o cobertor e desatou a chorar. Passado alguns segundos Téo, com uma voz fraca, quase que falando para si mesmo, mandou-lhe parar de chorar, mas ela não conseguia. Não dizia nada, mas não conseguia simplesmente parar de chorar.
Téo, agora com uma voz mais firme, mandou Mara parar de chorar novamente. Aquelas palavras acabaram ferindo ainda mais a garota que embora tenha tentado não conseguiu simplesmente segurar as lágrimas e o desespero.
Na terceira vez que Téo falou para Mara cessar seu choro a sua voz já saiu pausada, palavra por palavra enquanto ele novamente subia em cima de Mara, mas desta vez suas mãos buscaram o pescoço dela.
Assim como da primeira vez, demorou à garota entender o que estava ocorrendo, e mesmo com todo o desespero não tinha forçar para lutar, em poucos segundos estaria tudo acabado, ela pensou. O sofrimento chegaria ao fim.
Téo continuou enforcando a garota por minutos após a vida ter abandonado o corpo de Mara. Voltou a sentar na cama e o desespero começou a ficar mais forte. Não o desespero do que iria acontecer com ele, isto nunca passou por sua cabeça, mas o desespero sobre aquilo que Pedro iria sentir quando visse o que ele tinha acabado de fazer.
Não conseguiu pensar muito tempo sobre isso, quando ouviu o barulho de Pedro abrindo o portãozinho de ferro que ficava a apenas poucos passos da porta da casa. O desespero chegou a Téo novamente e só sossegou quando enxergou o espeto que ainda estava no chão da lareira.
Levantou-se da cama, pegou o espeto e colocou-o em cima da lareira, encostado na parede, deixando a ponta na altura de seu peito. Deu alguns passos para trás e correu em direção a ponta aguda do utensílio.
Perfurado, despencou no chão com seu corpo virado para a entrada da casa. Conseguiu ainda ver Pedro abrindo a porta. Tentou dizer uma palavra, uma única palavra: “desculpa”, mas de sua boca só saiu um gorfo de sangue.
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Gosteei *———-*, não pq eles morreram :/ (tambemneh) é qe são poucos contos qe conseguem prender minha atenção
*-*
Que bom que prendeu sua atenção e que você tenha gostado
Sempre é divertido matar um protagonista
Oie, Já lí viu? Adorei (apesar de ser suspeita)… Agora vou fazer parte dos agradecimentos? rsrsrsrs.
Nem.. Tem que ler na hora de lançamento…