Nunca fui um esportista, mas de fato fui bem azarado durante minha adolescência. Absolutamente todos os campeonatos que eu participei que eu consegui uma boa posição não havia premiação. Já os que tinham minha posição era sempre 4º em diante.
Chegou ao cúmulo de ter conseguido um terceiro lugar num campeonato da escola e eles só terem medalha para os dois primeiros. Sacanagem das bravas.
Dez anos depois da adolescência ter terminado e minha última competição eu ganhei um troféu de onde menos esperava.
Aos que não me conhecem pessoalmente, sou professor de história de uma escola pública. Nunca tive pretensões de salvar o mundo, muito pelo contrário, virei professor mais pelo acaso do que por qualquer outro motivo. Fiz o concurso público por “diversão” enquanto ainda cursava a faculdade, só para ver quem passava em posição melhor. Acabei assumindo e desde que sai da faculdade trabalho dando aulas.
Você pode se perguntar por que quase 7 anos depois de ter começado a dar aulas eu ainda continuo. Eu não saberia dizer, não é uma resposta fácil. Talvez comodismo, talvez porque o salário não é lá tão ruim, considerando que não sou casado nem tenho filhos. O fato de eu trabalhar a menos de 5 minutos de casa ajuda – para quem passou cinco anos enfrentando 5 horas de trânsito por dia.
Isso não quer dizer que só por isso eu empurrei meu trabalho com a barriga, aprendi desde cedo que se for para fazer algo, tenho que dar o meu melhor. E foi o que eu sempre fiz. Sempre odiei querer aprender e um professor não saber ensinar. Não queria ser o mesmo para qualquer aluno.
Por outro lado nunca tive desejos de que os alunos gostassem de mim. Para mim, meio que tanto fazia. Meu objetivo era ensinar a matéria, aprende quem quiser, fica quieto quem não quer. Imagino que uma boa parcela dos alunos me odeiam por isso. Outros acabam gostando, sabe-se lá o porque.
Nesta última sexta-feira, dia 2 de dezembro, aconteceu algo que eu sinceramente nunca esperei que ocorresse. Um grupo de alunas de uma oitava série criou uma apresentação para mim com direito a um dos mais belos textos que eu já tive o prazer de conhecer. Desde então já li esta carta inúmeras vezes e a cada vez que faço meus olhos enchem de lágrimas.
Não sei se eu passarei minha vida dando aula, mas se eu parasse hoje, parasse agora e fosse fazer qualquer outra coisa da minha vida eu já poderia dizer que os 5 anos de faculdade e os 7 trabalhando como professor valeram a pena. Foi sem dúvidas o melhor presente que ganhei na minha vida.
Eu sinceramente não sei qual a sensação de ganhar uma medalha em uma olimpíadas, mas se for 10% da sensação que eu passei desde sexta-feira, eu consigo entender porque tantos se esforçam para consegui-la.
E como qualquer medalhista olímpico, não paro de olhar para o meu premio. Uma parte feliz por ter conseguido, uma parte triste, pois já se tornou passado.








Parabéns pelo seu Troféu, pode ter certeza que este é de um primeiro lugar, e mereceu por isso.
“Eis que o troco vem , e vem sem demora “Srtª Carreira
To começando a ficar com medo, hehe