A tela do computador mostrava: “E ai? Já terminou? Tá tdo pronto?”
Gabriel não respondeu aquela mensagem imediatamente. Estava esperando se certificar pela nona vez que absolutamente nada tinha dado errado. Após o próximo passo não havia como voltar atrás.
Ficou pensando em como tinha chegado a aquele momento. Como tinha dado sorte. Tudo começou cerca de um ano antes, quando ainda estava no segundo colegial. Ao contrário de seus colegas de turma que estavam estudando para uma prova qualquer de física, Gabriel estava mais interessado na invasão de páginas e redes pela internet.
Nunca tinha descoberto absolutamente nada de útil. Tinha tirado algumas páginas do ar, colocado fotos pornográficas no portal de alguns jornais pequenos da região, além de se gabar aos amigos virtuais sobre sua tentativa frustrada em conseguir dados da Nasa.
Até que…
Em determinada madrugada, quando Gabriel estava mais uma vez brincando com o trabalho sério de outros percebeu um erro que lhe faria rico. Um funcionário desatento de uma grande empresa de tecnologia tinha deixado a sua senha pessoal aberta por alguns poucos segundos.
Se apenas a senha nas mãos de qualquer cidadão não serveria para conseguir nada de concreto, com Gabriel ela era a porta de entrada para iniciar um trabalho em cima do sistema da empresa e mais tarde conseguir o que quiser lá dentro.
Meses e meses de trabalho levaram finalmente Gabriel a encontrar algo que importava. Um grande projeto desta empresa. Ao mesmo tempo que bolava maneiras de roubá-lo sem deixar traços conseguiu entrar em contato com um concorrente e acertar o preço da venda destes dados: 10 milhōes de reais.
Quando terminou de checar tudo pela décima vez respondeu a pergunta de sua tela, de seu contato que lhe faria rico: “Pronto. Saindo de casa agora.”
Esperou alguns segundos e recebeu a resposta. “Ótimo. Como combinamos, vc faz sua parte e o dinheiro estará na sua conta hoje mesmo. Não esqueça de apagar todas as provas.”
Gabriel respondeu com um simples “ok”. Não tinha medo de ser enganado, tinha conseguido informações suficientes para acabar com a vida profissional e pessoal do seu contato caso ele não seguisse o acordo. E afinal de contas ele tinha menos de 18 anos, nada aconteceria de tão grave com ele.
Seguindo as orientações que os dois criaram desligou o seu computador e retirou o hard drive. Desparafusou-o e destruiu completamente os discos internos para não haver chances de recuperar os dados.
Pegou o único CD que continha as informações que precisava e se preparou para sair. Seu destino era uma lan-house. Achou mais seguro enviar estas informações fora de sua casa. Sua idéia era que por melhor que fosse uma possível investigação nunca chegariam nele.
Desceu pelo elevador do seu prédio de classe média com o coração pulando. Nunca achou que iria cometer um crime como este, mas só conseguia pensar no dinheiro que conseguiria com aquilo. Dez milhões. Passou o tempo todo imaginando o que faria com tanto dinheiro.
Saiu do prédio soltando um simples “e aí?” para o porteiro e começou a se encaminhar para uma lan house dois quarteirōes de distância da sua casa. Poderia ter escolhido a que existia na frente do seu prédio, mas não quis dar sopa para o azar.
A uns 40 metros de distância do seu destino enquanto caminhava e escrevia no celular sentiu uma pontada nas costas, olhou assustado para dois pivetes com uns três anos menos do que ele.
O mais baixo sussurrou “passa tudo, passa tudo”… Gabriel entregou o celular e tirou sua carteira do bolso e entregou para os moleques. O mais alto segurou os dois objetos e ficou ainda com a mão estendida para receber a sacolinha de super mercado que se encontrava o CD.
Instintivamente Gabriel puxou a sacolinha contra o corpo, o menor gritou com ele, dizendo que ele já “tinha perdido”. O maior começou a puxar o disco. Gabriel que era mais forte e não estava drogado conseguiu resistir sem grandes problemas.
Enfim o menor acabou perdendo a paciência e deu dois tiros nas costas de Gabriel, o maior conseguiu puxar a sacola e os dois saíram correndo enquanto o corpo de Gabriel chamava a atenção de todos da rua, inclusive do dono da lan-house.
Umas sete quadras dali, num beco os dois garotos dividiam o espólio de seu roubo: o celular e os trinta reais da carteira. Quando chegaram na sacola viram que lá só continha um CD, que imaginaram ser um filme pirata qualquer. Jogaram o disco numa caçamba e saíram andando rindo da idiotice do garoto que tinham acabado de matar.
Por causa de um CD. Um CD completamente sem valor…






continua amnhã ?
haha, esse não. Já matei o personagem principal, não tem mais o que, hehe