O Monstro – Parte 1
O Monstro – Parte 2
O MONSTRO – Parte 3
Demorou uma semana, mas Carlos conseguiu armar um plano que ele considerava absolutamente sem falhas. Iria assustar aquelas crianças, nem que fosse a última coisa que faria na vida.
No sábado não foi trabalhar, mas saiu de sua casa em direção ao parque mesmo assim. Em frente ao seu local de trabalho, em vez de entrar, como de costume, pelo portão dos funcionários, virou as costas e atravessou a avenida. Se dirigiu a um pequeno galpão, que tinha alugado durante a semana. Checou-se de que tudo estava conforme ele tinha preparado.
Depois de 2 horas acertando os últimos detalhes, deixou a velha construção com um sorriso que poucas vezes tinha passado por aqueles lábios. Entrou no parque como um cliente qualquer. Pouquíssimas pessoas lhe reconheceriam sem uma máscara naquele parque, destas nenhuma estava lá ou prestou atenção enquanto ele procurava as três crianças.
Alguns bons minutos andando no parque e Carlos finalmente as encontrou. O desespero que aquelas criaturinhas causavam nele todos os sábados foi substituído por um sentimento diferente: felicidade.
Tinha repassado as suas próximas ações a quase ponto de não conseguir dormir durante toda a semana. Movimento por movimento, palavra por palavra. Não precisou de tudo isso, bastou meia-dúzia de frases sobre uma promoção envolvendo um videogame e filhos de empregados do parque e as crianças já andavam saltitantes, com o agora completamente eufórico, Carlos.
É incrível que mesmo com seus pais sendo assíduos telespectadores de jornais catastróficos da televisão não tenham ensinado aos seus filhos o básico de “não confiar em estranhos”. Quinze minutos depois do primeiro contato as 3 crianças estavam amarradas em cadeiras dentro do galpão alugado por Carlos.
Tudo estava preparado da melhor maneira possível. Correntes, sombras, sangue de animais pela parede e até uma cabeça de porco faziam parte da decoração do local. Um coração de boi dependurado na parede com um prego enfincado estava de frente para as três crianças, que agora choravam sem fazer algum barulho devido ao pano e a fita adesiva.
Passado apenas dez minutos, o que para as crianças tinha levado horas, Carlos com sua característica roupa de Múmia em que trabalhava todos os dias, ainda suja da lama da semana anterior aparece na frente dos três.
Ficou parado, observando por vários minutos os olhos arregalados das três crianças. O pavor que elas sentiam fazia sua alma ficar cada vez mais revigorada. Não sentiu falta dos urros de medo que os pequenos soltariam caso estivessem sem a mordaça. Nunca foi dirigido pelos gritos. O medo era algo mais profundo, algo que aquelas crianças agora sentiam era visível apenas pelos três pares de olhinhos arregalados, mesmo que encharcados por lágrimas.
Quando finalmente saiu do transe que o ligava aqueles olhos, começou a contar sobre uma lenda egípcia de como eles acreditavam que o coração dos mortos era pesado numa balança e comparadas com uma pena. Falando isso, foi até uma mesa próxima aos três garotos que eles não conseguiam enxergar e voltou com uma balança em uma das mãos com uma pena equilibrada em um dos pratos e uma faca na outra mão.
De maneira calma e paciente a múmia foi andando em direção as crianças, com a faca apontada para o peito da criança do meio e a balança elevada justamente a altura dos olhos das três. O pânico das três crianças contrastava com o sentimento de prazer da múmia.






EU JA VI ALGUEM EXPLICANDO , SOBRE EGITO ,BALANÇA,CORAÇÃO E PENA
trá lá lá lá… trá lá la lá
heheheh