O MONSTRO – parte 1
Se Carlos tivesse passado por um bom psicólogo talvez descobriria que o seu trauma nasceu quando ainda era uma criança de dois anos e meio. Estava um calor infernal típico dos dias que antecedem o Natal, o pai de Carlos carregava seu filho pela rua super movimentada enquanto a mãe comprava alguns presentes em alguma loja qualquer.
Em outra loja um homem gordo, suado e ainda cheirando a bebida da noite anterior estava sentado numa cadeira dando tchau para algumas crianças (e para as mulheres) que passavam por lá. Estava vestido de vermelho, com uma barba feita de algodão numa estranha tentativa de se parecer papai noel.
Talvez pelo tédio, ou talvez por não saber como cuidar de uma criança, o pai carregou seu garoto até o senhor noel, mesmo com a criança dando todas as indicações de que aquilo lhe trazia um medo completo – de andar para trás, até o famoso berreiro. O pai não se acalmou até ver o velho suado ter seu filho no colo.
A mente das pessoas funciona de maneira misteriosa. Em vez de Carlos se tornar um senhor-medroso, pelo contrário, se tornou um maníaco consumidor de filmes de terror. A sensação de medo era como uma droga, necessária para a sua sobrevivência.
Conforme a adolescência foi passando, um novo desejo surgiu. Em vez de sentir medo, a adrenalina de causá-lo se tornou ainda mais importante. Mas criar pânico nos outros não era tão simples quanto ele imaginava.
Não demorou muito para que ele se tornar um garoto isolado do grupo, afinal suas infrutíferas tentativas de causar medo em seus colegas de escola, além de conversas no mínimo estranhas sobre filmes de terror desconhecidos de 80 anos atrás não eram exatamente populares.
Enquanto seus colegas discutiam sobre faculdades de medicina, engenharia ou direito, Carlos tinha em mente uma única coisa. Só seria feliz se o seu trabalho envolvesse ser um monstro para assustar pessoas.
Desta forma, enquanto seus ex-colegas de turma enchiam a cara participando de festas na faculdade, ele era contratado para trabalhar em festas infantis. Infelizmente, sua vontade de ser um monstro e poder assustar as pequenas criancinhas não fazia exatamente parte do seu trabalho. Que incluía no máximo um pequeno teatrinho em que ele vestido de lobo atacava a princesa – e tinha uma humilhante derrota para o príncipe – e algumas pinturas faciais nas pobres crianças.
Não que ele não tenha perseguido seu objetivo. Na verdade, por duas vezes tentou pintar ferimentos nos rostos infantis, o que lhe causou uma demissão por reclamação dos pais. Quanto as crianças, nada de se amedrontarem; adoraram mostrar as cicatrizes. Para infelicidade de Carlos, nenhuma pareceu ter um pingo de medo.
Carlos teve de desistir de seu sonho, após ser recusado em várias empresas de festas infantis – sua obsessão em assustar as crianças parecia ter se espalhado pela pequena cidade. Ninguém queria contratá-lo. Acabou se tornando um empregado num pequeno comércio e o tempo foi passando.
Cada vez menos os monstros que lhe povoavam a imaginação faziam sentido para a nova geração. Múmias, vampiros, lobo maus e sacis já tinham dado espaço na imaginação infantil para verdadeiros monstros: como sequestradores, assassinos, estupradores e professores.
Mas isso não ficaria assim…






Professores…rs
Não vejo a hora de ver a segunda parte…
Muito bom e me deixou muito curiosa =)
Que bom… Amanhã tem mais
coloca a segunda parte agora eu quero ver kkkkkk
Acabei de colocar online
http://www.sanrojoga.com/2011/10/04/o-monstro-parte-2/